6 de agosto de 2021

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Santana Jornalista

Mises e a família

O escritor G.K. Chesterton dizia que a família era uma instituição anarquista. Com isso, ele queria dizer que não é necessário nenhum decreto do estado para que ela venha a existir. Sua existência flui naturalmente de realidades constantes na natureza do homem, sua forma sendo aperfeiçoada pelo desenvolvimento de normas sexuais e pelo avanço da civilização.Essa observação é consistente com a discussão sobre a família feita por Ludwig von Mises em sua obra “Socialismo”, publicada em 1922. Por que Mises abordou a família e o casamento em um livro de economia que refutava o socialismo? Ele entendeu, ao contrário de muitos economistas de hoje, que os opositores de uma sociedade livre e voluntária têm um projeto amplo que geralmente começa com um ataque a essa mais do que crucial instituição burguesa.”Propostas para transformar as relações entre os sexos há muito vêm de mãos dadas com planos para a socialização dos meios de produção”, observa Mises. “O socialismo promete não apenas o bem-estar — riqueza para todos —, mas também a felicidade universal no amor. O casamento deve desaparecer junto com a propriedade privada.”Os socialistas propunham um mundo no qual não haveria impedimentos sociais ao ilimitado prazer pessoal, com a família e a monogamia sendo os primeiros obstáculos a serem derrubados. Esse plano funcionaria? Sem chance, disse Mises: o programa socialista para o amor livre é tão impossível quanto o programa para a economia. Ambos vão contra as restrições inerentes ao mundo real.A família, assim como a estrutura da economia de mercado, não é um produto de políticas; é um produto da associação voluntária, tornada necessária por realidades biológicas e sociais. O capitalismo reforçou o casamento e a família porque é um arranjo que depende do consentimento e do voluntarismo em todas as relações sociais.Tanto a família quanto o capitalismo compartilham as mesmas fundações institucionais e éticas. O próprio Marx reconhecia isso. No segundo capítulo de “O Manifesto Comunista”, Marx admite que a abolição da família — uma instituição burguesa — era crucial para o triunfo do socialismo. Segundo ele, os oponentes desta ideia são incapazes de entender um fato crucial sobre a família.”Sobre quais fundamentos se assenta a família atual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. Em sua forma completamente desenvolvida, a família tradicional é uma instituição burguesa e existe somente na burguesia”, disse Marx.Abolir a família seria relativamente fácil tão logo a propriedade da burguesia fosse abolida. “A família burguesa será naturalmente eliminada com o eliminar deste seu complemento, e ambos desaparecerão com o desaparecimento do capital”, concluiu ele.Ao abolir essas fundações, os socialistas iriam substituir uma sociedade baseada nos contratos voluntários por uma baseada na violência. O resultado óbvio seria o total colapso social. Mas esta era exatamente a intenção. Confira.

https://www.mises.org.br/article/557/mises-e-a-familia?fbclid=IwAR2VEmsOXyzkZKMalqw60v_aTEttddDueBScUe3xN4vm9XPgAjNGE_o16As