Ato do Greenpeace simulou manchas de óleo encontradas no litoral brasileiro. Segundo grupo, ‘abandono do lixo no local faz parte da manifestação’.

Por Afonso Ferreira e Carolina Cruz, G1 DF

23/10/2019

Garis do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do Distrito Federal recolheram cerca de 6 toneladas de lixo deixadas em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (23). A sujeira é resultado de um protesto, organizado pelo Greenpeace, contra as manchas de óleo que surgiram no litoral brasileiro.

Segundo a diretora de campanhas do Greenpeace Brasil, Tica Minami, o lixo deixado no local faz parte da manifestação.

“O ato simboliza a destruição que a gente está vendo no patrimônio ambiental e deixamos lá como uma lembrança de que o governo precisa agir. Não faria sentido nenhum tirar depois.”

Durante o ato, 30 pessoas foram detidas pela Polícia Militar do Distrito Federal e levados para a 5ª DP, na área central, por crime ambiental – descarte irregular de lixo em área pública (veja mais abaixo). Segundo a Polícia Civil, 20 foram autuados por “crime contra a política de ordenamento urbano”.

Nenhum manifestante ficou preso. Dois dos ambientalistas assinaram termos de comparecimento à Justiça.

Grades do Palácio do Planalto ficaram manchadas após protesto — Foto: Afonso Ferreira/G1

Grades do Palácio do Planalto ficaram manchadas após protesto — Foto: Afonso Ferreira/G1

Tinta preta

Os ambientalistas usaram tinta preta para simular as manchas de óleo que atingem as praias do litoral brasileiro. As grades e o mármore da rampa de acesso ao Palácio do Planalto ficaram manchados.

Durante a tarde, uma das faixas da via que passa em frente à sede do governo federal precisou ser fechada para o trabalho dos funcionários do Serviço de Limpeza Urbana. O trânsito na região ficou lento.

Ambientalistas do Greenpeace derramaram tinta preta em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para chamar a atenção sobre o óleo que chega às praias do Brasil — Foto: Carolina Cruz/G1

Ambientalistas do Greenpeace derramaram tinta preta em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para chamar a atenção sobre o óleo que chega às praias do Brasil — Foto: Carolina Cruz/G1

Operação de limpeza

Além de 12 trabalhadores dos SLU, a limpeza também mobilizou:

  • 2 caminhões caçamba
  • 2 caminhões pipa
  • Funcionários terceirizados do Palácio do Planalto

O Segundo o Serviço de Limpeza Urbana não soube dizer quanto custou o trabalho de limpeza. Um servidor disse à reportagem que a operação no local começou por volta de 11h e durou cerca de quatro horas.

Entre as 6 toneladas de lixo recolhido havia pedaços de madeira, terra, lona velha e tambores de plástico. O material foi levado à Unidade de Recebimento de Entulho (URE), no antigo Lixão da Estrutural.

Servidores limpam lixo após protesto no Palácio do Planalto — Foto: Afonso Ferreira/G1

Servidores limpam lixo após protesto no Palácio do Planalto — Foto: Afonso Ferreira/G1

Segundo a Polícia Militar, 30 pessoas participaram do ato. O porta-voz de clima e energia do Greenpeace, Tiago Almeida, afirmou que o objetivo foi “chamar a atenção das autoridades e da população para a importância da gestão responsável dos recursos ambientais”.

O grupo chegou no início da manhã e montou um telão próximo à Praça dos Três Poderes. Após o hasteamento da bandeira, que ocorre todos os dias em frente à sede do governo, os ativistas iniciaram o protesto.

No telão, imagens retrataram o desmatamento e as queimadas que atingem a Amazônia. As fotos alternavam com frases como “Brasil manchado de óleo” e “Pátria queimada Brasil”.

Ativistas do Greenpeace reuniram galhos queimados na frente do Palácio do Planalto, em Brasília — Foto: Carolina Cruz/G1

Ativistas do Greenpeace reuniram galhos queimados na frente do Palácio do Planalto, em Brasília — Foto: Carolina

https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/10/23/apos-prisao-de-ambientalistas-durante-protesto-garis-recolhem-6-toneladas-de-lixo-em-frente-ao-palacio-do-planalto.ghtml?fbclid=IwAR0hwHOaU-gSoJXDwXnZioa9WWI_iKPAZwsZTWA5ilTyGZPfVKBeG73z8Z0



By SANTANA

SANTANA - Jornalista / Bacharel em Ciência Política / Gestor em Segurança Pública e Policiamento / Pós graduado em Sociologia da Segurança Pública

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